do Vale ao Atacama - 8 dia

Hoje certamente foi um dia diferente. O Romário acordou cedo (demais!!!), 3h da madruga para ir ao banheiro (coisa de pessoa de idade, sabe?). Ao ir se deitar e voltar ao seu sono, sentiu a cama estremecer por um tempo. Estranhou, ficou enjoado porem logo pegou no sono. As 6 horas o grupo já estava de pé e a postos para pegar estrada. Nosso destino era Iquique - no litoral norte do Chile.

Comentou comigo, o ocorrido na madrugada, e questionei se seria realidade ou fruto da imaginação durante um sonho. Por via das duvidas, Romario ligou para sua esposa Ana, e soube que naquela noite havia ocorrido um terremoto de 5,8 pontos na Escala Richter, onde o epicentro seria aos arredores de Antofagasta (37 Km), cerca de 500 km de San Pedro de Atacama. O pessoal do hotel, também confirmou o ocorrido! Achamos legal, apesar da tragédia que é um terremoto, mas foi nossa primeira experiência (bom, não sentimos nada - só o Romário) mas estar tão próximo de um fenômeno da natureza já algo para contar aos netos!

Como ao chegar em San Pedro de Atacama, não tínhamos abastecido as motos, tivemos que fazê-lo na saída. E quem disse que encontraríamos o posto com facilidade, nem com GPS....muito menos seguindo as placas - a solução foi perguntar aos universitários (usando o Programa do SS - Quem quer 1 milhão!). Abastecemos e pegamos a estrada. A sensação era muito boa, pois depois de ficar 2 dias sem andar com nossas motos, a saudade já era grande. Alem, do fato de respirar ar puro, e não mais a poeira de San Pedro.

 Nesta foto mostra, ao fundo a Cordilheira que rodeia San Pedro de Atacama e que, o subsolo ainda em atividade vulcânica forma o Vale de la Luna, e toda a Cordilheira del Sal.

O destino final era Iquique, porem antes passaríamos em Calama e Chuquicamata, para abastecer. O trecho de maior risco de falta de combustível era justamente entre Chuquicamata e Quillaquá (o GPS mostrou um posto de combustível em Quillaquá, porem o Google Earth não mostrou nenhuma movimentação no local, somente deserto!). 





Na duvida, seguimos com muito zelo, pois caprichando nas marchas e mantendo a rotação dos motores em baixa, poderíamos seguir até o próximo posto, que seria em Oficina Victoria.

Um imprevisto ocorreu, pois após 5 km da Aduana de Quillaquá (e não tinha posto de abastecimento algum), a moto do Romário apresentou uma instabilidade na roda traseira, ao analisarmos o problema, percebemos cerca de 9 raios (a moto é uma Softail Deluxe) quebrados. A roda, simplesmente estava rodopiando, embebecida...e o pneu pegou o para-lamas, e foi quase totalmente destruído na sua parte lateral.


Agora a parte mais legal. Ligar para o 0800 da seguradora....no meio do deserto, ligar para um 0800 é algo que não tem preço! Precisa de muita paciência, pois as atendentes são EXTREMAMENTE ECONÔMICAS EM SUA CAPACIDADE INTELECTUAL (se é que me entendem?). Chegou ao ponto, que o Romário - já sem paciência, passou a atendente para mim, e a dita cuja perguntou em quantos estávamos. Resposta simples: em 4 pessoas....na contra-resposta, disse: "Como estão todos na moto do Sr. Romário?"...affff. Ninguém merece, numa situação de um calor intenso, falar com alguém assim! Malditos tele-atendimentos...mal treinados e mal intencionados. Bom, resumindo: O seguro não cobre o Chile - portanto fica a lição a todos. Verifique se o seu seguro, vale em todos os países que vocês vão visitar!!! 


Após, o Leco retornar até a Aduana e trazer água e uns sanduíches. E após a negativa da seguradora, decidimos voltar os 5 km, com cuidado e ficar a sombra buscando uma solução. Porem, o bom humor de todos só aumentava com o desafio de buscar a solução e nunca lamentar o problema!


Já na sombra da aduana, conhecemos o chefe da fiscalização, Marcelo, expusemos o problema, e prontamente disse: "Voces estão no melhor lugar para conseguir um caminhão para levar a moto para Santiago, pois todos que vem do norte do País, Peru e Bolívia, tem que passar por aqui e declarar sua carga. Vou verificar quem poderá levar a moto". Foi como um banho de auto confiança, pois estávamos num País sério e com funcionários públicos sérios. Levou menos de 15 minutos, para nos apresentar o Caminhoneiro Luis Ayala, que com sua carga (Dois tratores), tinha o espaço e o destino que queríamos - Santiago. 

Colocamos a moto do Romário sobre o caminhão, entre os tratores. Muito bem amarrada. Presenteamos o Marcelo e o Luis com os bonés do Bluharley, para demonstrar nossa gratidão pelo pronto atendimento a nossa demanda e como gesto de cordialidade que fomos atendidos. Fato importante, a ser mencionado: O Marcelo preencheu todos os papeis, para justificar a presença da moto no caminhão, e ainda nos deu todos os dados do Luis (chassis do caminhão, numero do documento aduaneiro, celular e números dos documentos pessoais do motorista), alem disto - passou seu próprio celular e disse: "Se esta moto não chegar a Santiago, me liguem no meu celular, que consigo rastear o caminhão em qualquer lugar da America do Sul!". Ficamos seguros e tranqüilos!

Re-organizamos a bagagem do Romário, entre as outras motos. E ganhei um garupa! Com o ocorrido, e com a situação de combustível em risco, decidimos abortar a viagem a Iquique, e seguimos direto para Antofagasta, com abastecimento em Maria Elena.

Maria Elena, é uma cidade na província de Tocopila e Região de Antofagasta, que vive em função de umas das maiores Minas de Salitre do mundo. Todo seu território, possui cerca de 3 metros de puro sal. Com seus 7.500 habitantes, aproveitamos para tomar uma água, e o Marlos consertar a mola do pé da moto.

Seguimos viagem, com destino a Antofagasta. a paisagem é deslumbrante, pois mistura - ao longo do caminho, os ares do deserto e a umidade do pacífico. Ao descer do altiplano para o nível do mar, pudemos perceber a temperatura cair drasticamente, e ao chegar na costa do pacífico, a emoção tomou conta, pois este era nosso objetivo - conhecer o Pacífico! E finalmente, podemos dizer que fizemos de "Costa a Costa da America de Motocicleta".  

Após tirarmos a foto, com o por do sol no mar (fato que nós brasileiros não vemos, pois estamos ao leste!), seguimos para o Hotel Antofagasta, ao lado do Iate Clube. Decidimos ficar no hotel, e comer algo.

No bar do hotel, conhecemos uma figura - Fred! Com seu violão, e sua aparência idêntica ao Marlos (acho até hoje que são meio irmãos!), alegrou nossa noite, com musicas brasileiras com sotaque chileno. Fizemos a festa, alegramos nossa alma, lavamos nossas emoções e fomos dormir - depois de alguns wyskies.

Com colaboração PHD Romário
BH TCC
PHD Buhatem


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