4º Dia - Do Vale ao Fin del Mundo - Bahia Blanca a Puerto Madryn

O dia começou cedo, como de costume. E após o “Desayuno” seguimos nossa rota programada para mais 700 km pela Rn 251 até Rio Colorado e em seguida pela tradicional Rn 3 para Puerto Madryn. 

Logo na primeira parada, em Rio Colorado para abastecer; na espera da nossa vez, encontramos 3 Mineiros (Célio, Junior e sua esposa Ludimila) ambos de GS 1200 da BMW, e fizemos logo amizade, trocando patch’s, pin’s e adesivos. Abastecemos e seguimos o caminho. 
Uma das inumeras filas para abastecimento
O tempo quente, e o Sol estavam nos acompanhado o tempo todo. As motos fazendo entre 17 km/l e 19 km/l…tudo perfeito! O que esperar mais de uma viagem entre amigos, para um destino desafiador? Absolutamente nada, é só curtir a paisagem e rodar com segurança.

Estávamos programados para fazer mais uma parada para abastecimento em Santo Antonio do Oeste, mas infelizmente não tinha “Nafta” - só chegaria as 15h, e teríamos que ficar na fila aguardando. como nossas Ultras, estavam com autonomia de 400 km, decidimos seguir em frente e pegar o próximo posto há 75 km.

Ao chegarmos, encontramos um casal - O Abelardo (com uma certa idade - mas com sua Boulevard) e sua companhia Laila, estavam voltando de Ushuaia. Me causou um pouco de estranheza e não quis ser indelicado de perguntar, o motivo do Abelardo estar usando Capa de Chuva, num dia sem uma única nuvem no céu….babaca que sou! Devia ter perguntado…. porque não perguntei??? Oh Gosh…ohh

Seguimos nosso caminho, e o Romário logo percebeu que a estrada estava um pouco molhada, fato raro até então. E a temperatura de 38 graus caiu rapidamente para menos de 20 graus. Pingos de chuva começaram a cair, nada que fosse necessário colocar a Capa de Chuva, pois a calça e jaqueta de cordura, estavam de acordo com o clima. O que estava começando a complicar eram as luvas, sem dedo…pois os dedos estavam começando a gelar.

Um paradinha, para a troca de jaqueta do Romário (de Verão….para uma mais fechada) foi suficiente para a decisão do momento. Porem….

Em poucos quilometros, o céu escureceu…o vento começou no lado Oeste e Sudoeste, em rachadas fortissimas….bom, este era o vento que todos os Motociclistas nos avisaram que iria ter! Nada de surpresa, salvo a questão do tempo fechado e uns pingos de chuva!

As rajadas, se transformaram em ventos fortíssimos, capazes de levar nossas Ultras para outra extremidade da pista, e forçando o contra-esterço como manobra primordial de sobrevivência. Ao nosso lado, nenhum acostamento asfaltado, somente Ripio. A nossa frente uma fila de carros, com piscas alertas ligados e no nosso retrovisor mais carros, e todos com o pisca alerta em toda ação! Seguimos…com calma, tudo daria certo!

A chuva se transformou em Tempestade, classificada pelos jornais como Diluvio (vejam a foto da capa do jornal abaixo). Era chuva que caia, vento que soprava, carros lentos a nossa frente, acostamento..sem acostamento, e para piorar a viseira do capacete do Romário, mais embaçada que lente baforida!

Faltavam, 160 km para Puerto Madryn. Nossa velocidade era não superior a 80 km/h, quase impossível de segurar as motos, contra a ventania de traves de boreste à boreste. Ultrapassar, sem visibilidade alguma. e de nada adiantaria, pois afrente mais e mais carros lentos devido a tempestade.

Orar, Orar e Orar…o melhor a fazer! Ele nos atendeu. Chegamos finalmente em Puerto Madryn, pensamos “- Agora esta tudo resolvido, é só chegar no Hotel, tomar uns tragos de whisky e pronto!”. Pura ilusão…

Na entrada da cidade, estava roteado o Posto para Abastecimento, porem este estava fechado devido a forte tempestade. Em seguida, tínhamos que pegar a esquerda para a Avenida da praia e seguir ao Hotel. Muita água na pista, a visibilidade era reduzidíssima…que situação! Tudo bem, seguimos os carros, e tomamos a esquerda, conforme planejado….quando foi a grande surpresa! Tinha um ressaldo sobre a pista, encoberto pela agua, que nossas motos não transpassaram…desequilibrando e fazendo que nossa perícia e muita, mas muita sorte e Proteção Divina não caíssemos. Os dois sofreram o mesmo problema, e conseguimos sair ilesos, mas em compensação…as pernas tremiam mais que vara verde em dia de ventania. Que susto…..

Ao pegarmos a Avenida da Praia, nos deparamos com um verdadeiro Rio a nossa frente, devido a tempestade, toda água esta escorrendo para o mar. Paramos, analisamos…vimos os carros e a profundidade do mergulho. E como estávamos completamente molhados, tomamos coragem e colocamos as Ultras na água, em primeira marcha, com aceleração constante e alta, controlando tudo pela embreagem, passamos a correnteza. Ufa...

Seguimos ao Hotel roteado (Hotel Rayentray), mas não nos atemos ao fato que é também feriado de Carnaval na Argentina, e tudo estava lotado. Tentamos outros hotéis, e nada! encontramos os amigos Mineiros, e seguimos juntos para buscar um hotel na cidade….e nada! A melhor decisão foi seguir a Trelew, a 70 km ao Sul de Puerto Madryn. E ficar num hotel da mesma rede do Rayentray).

Ok tudo resolvido, o Romário ligou e reservou o hotel. tínhamos mais de 1 hora de dia claro, a chuva tinha amenizado, e o Célio, Julio e Ludi iriam conosco para o mesmo hotel. Por um momento, nos separamos, mas todos sabiam o caminho e nos encontraríamos no hotel.

Roteamos o Garmin Zumo 660, e seguimos a direita, logo no primeiro quarteirão, a Defesa Civil tinha interditado a rua pelo alagamento, tomamos a direita novamente, para uma nova rota. Mas, faltava o importante, combustível!!! E como encontrar combustível, num país que falta tudo, e numa cidade sitiada pelo caos de uma união de Furacão e tempestade tropical, e como disseram os surfistas foi o primeiro swell da temporada (sei lá o que é isso! Mas deve ser raro…rsrs). Deparamos com uma rua totalmente congestionada e alagada. Tomada rápida de decisão - ou seguimos e pegamos água, ou ficamos para a eternidade. Seguimos…

Primeira marcha, rotação constante e alta, coragem e…e….e….faltava uma dose de whisky para encorpar a coragem! No meio da água, minha HD morreu, bati na ignição, pegou e segui…passei! O Romário ficou. Deixei minha moto, e fui ajudar a empurrar a moto para fora d’água, mas um habitante local já estava colaborando. Foi, só dar ignição e pegou também e seguimos para Trelew.

Voces, devem estar pensando agora acabou….nada…agora começou! Rodar 70 km sem combustível e sem a menor chance de encontrar um posto. Mas, aprendi com o Romário, que com Atitudes certas, na Hora certa e pensamento sempre positivo, conseguiremos tudo! Comecei a repetir mentalmente “Todo dia, Toda Hora…Minha vida só Melhora” slogan de vida do Romário, que nos repassa com sua sabedoria.

Quando o painel acusava “low” para o combustível, aprendi com o PHD Chico que tínhamos ainda 50 km para rodar, mas o GPS indicava 66 km para o Hotel. Nossa sorte, se voltou novamente para nós, e nos deu um posto YPF na entrada de Trelew. Abastecemos, e fomos para o Hotel.

Aí para continuar a grande aventura do dia, ao entrarmos no quarto nos deparamos com um Morcego Voando, mas o grande Romário deu um jeito no bixano, e após uma caça frenética ao BatVoador, conseguiu captura-lo e coloca-lo para fora. É pracabá!!!! kkkk

Encontramos o grupo de Minas, nos arrumamos e saímos para jantar um Cordeiro Patagônico, com um belo vinho e curtir as aventuras do dia. Ficamos no Rayentray Hotel Trelew, na San Martin 101, esquina com Belgrano.







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