6º Dia - Do Vale ao Fin del Mundo - Trelew a Comodoro Rivadavia

Durante toda a noite do dia 11/02/13, ventou muito. Parecia se formar mais uma tempestade, como àquela que enfrentamos ao chegar em Purto Madryn/Trelew.

Do Irish RestoPub, onde com os amigos Junior e Ludimila tomávamos um chopp Quilmes, para afastar o cansaço de um dia inteiro de visita a Península Valdez e suas pingüineiras. Víamos as rajadas de vento, infernizando a população local que se preparava para o desfile de carnaval de rua. Começamos a imaginar o que nos aguardava para o dia seguinte.

O vento uivou a noite inteira, tirando o sono e nos preocupando muito. Chegamos a cogitar em ver a situação ao amanhecer, para decidir continuar ou não a viagem para Comodoro Rivadavia.

Nosso roteiro para Comodoro, seguia pela Rn 3 pelos próximos 381 km. Uma perna curta, porem importante para manter o ritmo da viagem. Ao amanhecer, percebemos um belo dia de sol e com previsão de ventos de 45 km/h. Suportável!

Bem cedo, retiramos as motos do estacionamento improvisado numa Lavação de Veículos (O Gerente do Hotel, que não havia estacionamento, nos conseguiu um local para deixar as motos abrigadas e as chaves em nosso poder!). Passamos rapidamente no Hotel para deixar, as chaves da Lavação na Portaria, e os adesivos da nossa viagem para nossos novos amigos de Belo Horizonte. Seguimos, rumo a Rn 3 sentido sul.

Logo, sentimos as rajadas de vento vindas de Boreste, e por alguns momentos de Traves de Proa. O mais indicado foi manter a velocidade constante em 120 km/h, colocar no Piloto automático e administrar os contra-esterços da moto, para vencer a força do vento a cada nova rajada.

O consumo de combustível continuava a se acentuar, pois com o vento contra e mantendo marcha em rotação elevada (3.000 rpm), era normal que o nossa autonomia caísse demasiadamente.

A viagem rapida e com um única parada para abastecer em Guarayalde, fez com que chegássemos em Comodoro Rivadavia rapidamente. Porém, com o vento forte e o sol a pino, nossas energias iam se esvaindo, e o sono nos tomava de surpresa a cada desvio da rota. Diante de um perigo como este, o sono, o melhor é parar…pois o Tempo não importa, o Destino menos ainda…o que importa é estarmos curtindo uma viagem prazerosa e com paisagens inimagináveis para os bluharleyros do Vale. 

PHD Romário subindo a pressão com uma batata bem salgada!


Comodoro é a cidade mais ao sul da Província de Chubut. Toda província é um local de colonização de imigrantes do País de Gales, e até hoje boa parte da população fala um dialeto Galês, que ao misturar com o espanhol/castelhano fica quase impossível para nós Brasileiros nos entendermos. Mas, como somos um povo multi-cultural, coberto de imigrantes e cheio de ginga e criatividade, damos um jeitinho.

A cidade é a Capital Argentina em extração de Petróleo, que foi descoberto na cidade quando…vejam que curioso….buscavam água em seu sub-solo. a beira da Baia de São Jorge, o que impressiona é o nível das mares, pois da maré baixa para alta, abre-se mais de 100 metros de rochedos e praias de areias negras.



Ao chegarmos, abastecemos as motos como de costume, logo na entrada da cidade. Nunca fomos tão assediados pelos habitantes locais…fotos e mais fotos, perguntas das mais diversas. Antes já haviamos passado por isto, mas como em Comodoro nunca!

Nos hospedamos no Hotel Austral, a apenas uma quadra do mar. Aproveitamos o restante do dia, para escrever a história da viagem, no lobby/bar do hotel (como estou fazendo agora! rsrs) e dar uma volta, pois iniciava as comemorações carnavalescas, e mais tarde o desfile na rua principal.




 O povo muito animado, quando souberam que somos brasileiros, fizeram questão (uma das agremiações) de prestar uma homenagem, juntando sua Bateria e tocando com exclusividade para os Bluharley’s em viagem!
Grupo Alegórico em Homenagem aos Bluharley’s

Rivadavia é uma cidade de negócios, com poucos atrativos turísticos, mas de uma beleza ímpar pelos poços de petróleo e pelo seu povo que aparentemente é muito feliz! 

Jantamos uma Pizza, bebemos umas Quilmes e nos recolhemos, pois o dia seguinte será de 800 km até Rio Gallegos, e o vento não deu uma única trégua.







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