7º Dia - Do Vale ao Fin del Mundo - Comodoro Rivadavia a Rio Gallegos

Novamente uma noite mal dormida! O Vento soprava forte, e uivava com um cão em dor…filosofia, não…realidade! Acordamos e depois dos tramites normais de colocar as tralhas nas motos, tomar o Desajuno e fazer o Check-out no Hotel, nossas Harley’s estavam prontas para mais um dia de estradas perfeitas, ainda pela Rn 3 ao sul…destino: Rio Gallegos.

Logo que pegamos a estrada, a sensação que o vento havia sumido…realmente sumiu! Ele veio com a força de um leão, rugindo ao nosso lado. Cada rajada, um contra-esterço….cada, sopro em momento mais desavisado, um desvio para o sentido contrário da rodovia! Risco? Sim….com certeza, um risco! Mas, viemos para esta viagem para que? Se fosse para ter o conforto e a certeza de chegar, não sairíamos de casa…ficaríamos com a motos samambaias na Garagem (servindo de Decoração! rsrs).

Depois de quase 2.000 km de ventos, reclamar dele é subjugar nossa inteligência. Pois, todos que nos antecederam nos avisaram que ele (o vento!) era forte e batia nos motociclistas como quem não conhece a “Lei Maria da Penha”, portanto a regra era clara, antes de ligarmos as motos em nossas garagens. 

Assim, passamos a cada quilometro, com as paisagens que somente os Pampas podem proporcionar, uma vasta área descampada, com vegetação baixa, e muita…muita “Marcela” ao lado do acostamento. Interessante, que toda vegetação não passa de 50 cm…creio que seja o próprio vento característico, que não permite o crescimento, ou a espécie se adaptou ao meio que vive. Como nós, motociclistas que nos adaptamos ao vento, e talvez iremos estranhar viajar sem a sua companhia. Interessante….

Mas, a cada momento o nosso inimigo mudou, e o sono era constante. Pois com estrada de pouco movimento e com retas infindaveis. Nossas Harley’s rodando a 120 km/h no automático, era de prever um certo conforto e perda da adrenalina que as motos nos proporcionam. O melhor é parar…tirar uma fotos…comer algo…beber muita agua…e seguir o caminho! Segurança supera o desejo de chegar!

Uma das paradas para relaxar e espantar o sono!

Porém, nesse trecho foi o momento de maior tensão (claro, nada se compara ao Diluvio de Puerto Madryn) pois em uma curva descendente a direita, pude avistar (estava afrente com o PHD Romário há uns 800 metros) um Caminhão também de curva descendente, porem a esquerda, sendo ultrapassado por um Renault. Ao adentrar a frente do caminhão, o Renault se depara com um Guanaco…que em dois longos passos/pulos atravessou afrente do Renault, que o acertou em cheio. O pobre bicho subiu a não sei quantos metros, rodopiou não sei quantas vezes…mas, tudo a minha frente e nós a 120 km/h.

O bichano (era um dos grandes!) caiu sobre a pista, foi o tempo de sinalizar ao Romário para baixar a velocidade (nem radio deu para usar…ou lembrar de usar), e desviar. O Renault destruído e o caminhão pararam no acostamento de Rípio, nós seguimos a viagem; pois nada poderíamos fazer para ajudar! Foi triste, um animal tão bonito, causar um acidente que poderia ter gerado mortes. Um pouco mais, poderia ter caído no meu colo…kkk!

Seguimos viagem, e após o acontecido o sono sumiu definitivamente! Nos quilômetros seguintes, a paisagem foi se alternado entre a vegetação baixa, comum dos Pampas para uma uma vegetação mais densa, característica já da Tierra del Fuego.

Após os 781 km, chegamos a Rio Gallegos. Esta cidade é capital da província de Santa Cruz, distante a 2800 km de Buenos Aires e a pouco mais de 670 km de Ushuaia, nosso objetivo! Ficamos no Hotel Santa Cruz, que nos proporcionou um excelente jantar, a base de “Sopa de Legumes”. Uma delicia.



Nos recolhemos, pois apesar da pouca distancia que nos separa do Ushuaia…a complexidade do trecho nos levará muito tempo dispendido e um esforço extra.










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