8º Dia - Do Vale ao Fin del Mundo - Rio Gallegos a Ushuaia -

Aprontamos as motos bem cedo, pois apesar da pouca distancia que nos separam do destino desta viagem, sabemos que existem muitos obstáculos a serem vencidos, e isto tomaria muito tempo, retardando a chegada ao limite do sol poente.

Feito o check-out no Hotel Santa Cruz, tomamos o sentido da Rn 3 sul, em pouco mais de 50 km paramos na aduana Argentina/Chile, para os tramites migratórios. Para ir ao Ushuaia, cerca de 180 km você percorre dentro do território Chileno. Isto causa um certo desconforto, pois são duas aduanas, com filas e tramites de papelada, somente para transpor a area territorial, mas faz parte da regra e inclui nas aventuras da viagem.

Percorrido 118 km de Rio Gallegos, chegamos no Estreito de Magalhães. Neste ponto, pegamos o Transbordador que faz a travessia dos veículos, motos e principalmente caminhões para o arquipélago da Tierra del Fuego. Inicialmente tivemos que aguardar, pois o Transbordador que carrega em sua plataforma caminhões com cargas perigosas (no caso Combustivel!), não pode levar mais nenhum veículo, por questões de segurança. Mas, a espera não foi superior a 30 minutos.

Estreito de Magalhães
O tempo estava excelente, com pouco vento. Existem relatos que com ventos de alta intensidade (80 a 100 km/h), o Transbordador interrompe as atividades, até voltar as condições metereológicas seguras para o translado. Não foi o nosso caso.

 O custo para as motos foi de AR 70,00 cada, que deve ser pago no Caixa do próprio transbordador. A travessia dura cerca de 20 minutos.



Romário no Passadiço
A bordo tem um sistema de lanchonete, servindo lanches e bebidas para os passageiros. Porem tudo muito apertado, e com a lotação de veículos, a circulação fica prejudicada. Todos se apertam para subir no passadiço, a busca de uma boa foto.
As motos em meio a Caminhões no Transbordador







O caminhão vermelho Scania, logo atras de nós, coincidentemente estava presente e assistiu ao acidente com o Guanaco no dia anterior. O motorista comentou que o estrago no veículo foi grande, mas que ninguém se machucou. Isto é bom!


PHD Romário se preparando para sair do Transbordador



Saímos do Transbordador, e seguimos a Rota com destino a Cerro Sombrerro, onde paramos para o abastecimento…que arrependimento! O Posto fecha todos os dias das 12 as 13 horas. O funcionário do posto, um senhor de idade e pouca vontade de trabalhar, chegou pontualmente, porem nos atendeu cerca de 20 minutos após. Como só tínhamos Peso Argentino, ele foi muito gentil em “Cambiar” e nos cobrou cerca de AR$17,00/litro de Gasolina. Na Argentina  o litro varia de AR$ 4,90 a AR$ 7,80/litro. Ou seja, o velhinho se aproveitou da oportunidade de ser o único posto com combustível antes do Ripio.

Ao sairmos da cidade, o GPS estava roteado para pegar a Ruta Y665, toda em Rípio e a estrada em péssimas condições. Ora era um alagadiço misturado com lama, ora era pedriscos soltos. Em raros trechos, tínhamos um caminho compactado para conduzir as Ultras. O movimento de veículos por essa caminho é quase nulo, o que nos deixou mais tranquilo para faze-lo ao nosso ritimo. As vezes podíamos impor uma velocidade maior, mais ao longo do caminho, a velocidade não ultrapassava a 60 km/h. Incluindo as paradas, para aliviar o stress e tirar “Agua do Joelho “, passamos bem pelo trecho, em pouco mais de 2 horas. Porém, o comentário geral foi que existe uma outra Rota, bem mais larga e movimentada. Porem, mais segura e mais longa em quase 20 km. Deixamos esta opção para volta, já que não tínhamos mais o que fazer.

O Ripio a principio assusta, pois tira de voce o comando da sua moto. Mas, ao longo do caminho, a confiança e talvez a experiência adquirida, como num curso "Walita…” lhe proporciona um pouco mais de confiança.

Ao final da estrada, fizemos a Aduana Argentina, para reingressar ao país, e seguimos para Ushuaia, via San Sebastian e Rio Grande. A cada quilometro a paisagem mudava radicalmente, saia a vegetação de deserto característica da Patagonia e começava as grandes Arvores sem Copa (deve ser devido aos ventos que sopram do Pacífico - que origina o Terceiro maior complexo geleiro do mundo, as Cordilheiras dos Andes). Com a subida até o Paso Garibaldi, o único de acesso a Ushuaia, passamos pelo Lago Faragno…uma beleza indescritível.

Paso Garibaldi
A Magia desse lugar é contagiante, o silencio emociona pela sua beleza e a natureza impera como um reinado integral e inteligente. Ao parar, pudemos contemplar uma das paisagens mais brilhantes que já pude ver, em todas minhas viagens.





Paso Garibaldi

Hotel Albatros
Depois é só descida, rumo a Ushuaia. Finalmente chegamos no destino proposto da nossa expedição, logo ao entardecer e logo fomos para o Hotel Canal de Beagle, mas estava lotado. Mas ao lado, o Hotel Albatros nos proporcionou grandes momentos, não só pela hospitalidade, mas por encontrar uma turma de Timbó que viajavam de BMW’s e com uma camioneta Toyota de apoio. Fizemos uma boa amizade com eles, jantamos juntos e conversamos bastante. Rimos um monte! 


Placa no Centro defronte ao Canal de Beagle - extra oficial

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