11º Dia - Do Vale ao Fin del Mundo - Ushuaia a Rio Gallegos

Hoje é dia 17 de Fevereiro de 2013, um domingo. Acordamos cedo para preparar as tralhas para partir de Ushuaia. Nosso destino inicial é Punta Arenas, mas as coisas começaram a mudar desde cedo.

O Romário, como de costume verificou o tempo. Nuvens intercaladas com sol, logo as 6h da manhã visto pela janela do quarto do Hotel Albatroz, com vista para o estacionamento e consequentemente para nossas motos, que pairavam no tempo.

Arrumamos tudo, e antes do café da manhã e do check-out, fomos arrumar as tralhas nas motos. Ao chegar, constatamos uma chuva insistente. - Romário, você bebeu ou cheirou muita cola..kkk! Fui logo indagando ao meu parceiro sobre sua "previsão do tempo". Logo descobrimos que Ushuaia era assim mesmo, em minutos o tempo vira. Tanto para chuva como para sol. A duvida sobre a saída, por alguns momentos invadiram nossas mentes, mas colocamos tudo nas motos, e fomos para o Dasayuno.

Durante o Café, consultamos a previsão do tempo para os próximos dias, e sabedores que iria chover nos 3 dias seguintes, e ainda como combinamos com a turma de BH nos encontrar as 8h no Posto YPF na Av. Canal de Beagle, decidimos seguir enfrente e encarar o desafio de pegar mais um pouco de chuva. Colocamos as capas, e seguimos para o Ponto de Encontro pontualmente. Abastecemos e seguimos para o Estreito de Magalhães.

A maior duvida sobre seguir na chuva ou não, foi o fato de enfrentar o Ripio, com ventos fortes e chuva. A dificuldade seria maior, mas nos confortou o fato de que em Toulhin (77 km de Ushuaia), a beira do Lago Fagnano, já haveria sol; esta informação tomamos da recepcionista do Hotel - que foi promovida a Garota da Previsão do Tempo! Pois acertou quase em cheio…quase!

Assumi como Road Cap do grupo, agora formado por duas Ultras e duas GS 1200R da BMW, com cautela normal para o clima, seguimos o caminho ao leste e logo assumimos o rumo norte. Há alguns quilômetros do Paso Garibaldi, com a altitude subindo a temperatura foi caindo rapidamente. Aos poucos a chuva foi se transformando em um neve fina, mas ao chegar no ponto mais alto da passagem da Cordilheira dos Andes - justamente no Paso Garibaldi, a neve começou a se intensificar, nos obrigando a parar. Não por problemas técnicos ou pela dificuldade de conduzir as motos, mas para apreciar o momento único que estávamos vivenciando - Conduzir as motos sob forte nevasca!! Jamais esqueceremos a cena impressionante!

PHD Romário na Neve no Paso Garibaldi
As copas das arvores ao nosso redor estavam completamente brancas, com a neve que caiu ao longo de toda noite, fato comum para esta época do ano nos Andes.

Mas chegar no momento da uma nova neve, foi muita sorte, pois nos proporcionou um visual incrível. Ficamos impressionados e felizes, pois não poderemos dizer que “nunca mais” enfrentaremos outra desta. Mas que será dificil, ahhh isso será com certeza!
Célio Benicio enfrentando sua primeira Nevasca


O nosso amigo, que fizemos durante a viagem, o Célio Benicio - Engenheiro de Minas, ficou muito emocionado, pois foi sua primeira neve. Já havia visto muita neve caída, mas nevando foi a primeira. Acho que para todos nós, foi uma surpresa.





Mas, o dia estava apenas começando!! 

Logo que parei para tirar fotos e filmar, retirei a luva impermeável da Harley, e fiquei apenas com a segunda pele. A temperatura no termômetro da Ultra, marcava 0º C. A parada foi rápida, pois temíamos pelo congelamento do asfalto, e consequentemente o inicio das dificuldades como derrapagens e o frio extremo na injeção de combustível (que não estava preparado para tanto frio).

Logo saímos, e continuamos a viagem. Em poucos quilômetros senti a temperatura caindo e o termômetro já marcava −4ºC, o frio congelante estava esfriando nosso corpo. Mas, sentia muito a minhas mãos, mais ainda a Direita. foi que percebi que tinha esquecido de recolocar a luva da Harley, e estava pilotando apenas com a segunda pele! Sem acostamento, e com a neve caindo forte, não tive alternativa, a não ser continuar ate encontrar um ponto de parada segura no acostamento. foram os 15 quilômetros mais frios que passei. Foi pracabá!

Seguimos até Toulhin, e paramos no Posto para Alguns cafés, chocolate quente e muito whisky! kkk

Após nos aquecemos, seguimos rumo a Rio Grande e San Sebastian, chegamos e logo abastecemos ainda na Argentina, antes de fazer a aduana chilena e enfrentar o temido Ripio. Serão 120 km de Ripio, e desta vez pegaremos uma estrada diferente, indicada pelo Junior e Célio de BH.

Na ida para Ushuaia, pegamos a Ruta Y-665, são 100 km de Ripio e lama. No retorno nos indicaram a Ruta Y-663, que é considerada a principal rota. A vantagem é um Ripio de melhor qualidade, sem lamaçal, etc…mas, como desvantagem a intensidade de Caminhões e Ônibus. Porem, como é Domingo, a incidência deveria ser menor.

O Célio, Junior e Ludmilla, seguiam afrente, e a cada bifurcação, gentilmente nos aguardavam para indicar o caminho. Faltando menos de 15 km para chegarmos a Cerro Sombrero e fim da estrada de Ripio, encontramos um Ônibus de turismo, que gentilmente cedeu a passagem, visto que tínhamos apenas Dois trilhos para seguir. Passamos sem stress. Mas, em seguida encontramos mais um Ônibus, que inicialmente se deslocou para a nossa esquerda, dando a entender que estava deixando-nos um dos trilhos na pista para passarmos. Pura ilusão!

Ao entrarmos ao lado do Ônibus, ele se desloca nos pressionando contra lateral da estrada, num amontoado de pedriscos. com o avançar do ônibus, e a pressão sobre o Phd Romário, ele não teve alternativa e terminou batendo, vindo a cair sem maiores problemas ou gravidade. O mesmo aconteceu comigo, que terminei com a perna presa debaixo da moto. Mas, nada demais. Levantamos, com ajuda dos passageiros do ônibus, e seguimos viagem.

Seguimos para o Transbordador, logo que encontramos o grupo de BH e suas GS’s preparadas para enfrentar todo tipo de terreno, inclusive o Ripio. Tivemos que aguardar cerca de 40 minutos, e o vento estava muito forte, chegamos a suspeitar da interrupção dos serviços do transbordador, mas felizmente não ocorreu.

A Ultra Limited, possui um sistema de alarme, que resolveu entrar em pane e fazer a Ultra não pegar mais…sem um único sinal de partida do motor! Colocamos a moto dentro do transbordador no embalo. A moto GS 1200 R do Junior, também resolver dar pane, pois com o Ripio rompendo o sensor que desliga o motor ao baixar o pé de descanso. Também foi para dentro na base do embalo!

Já no transbordador (a viagem dura cerca de 20 minutos e custa AR$ 70,00), a moto do Romário voltou a funcionar, misteriosamente e a do Junior, tivemos que retira-la para o continente, empurrando. 

Já em terra firme, encontramos mais dois motociclistas com GS 1200 R Adventure, o Humberto e Jefferson, ambos juízes da Vara Criminal de SC (O Humberto de Florianópolis e o Jefferson de Chapecó). com a ajuda de ambos, foi desmontado o sensor da moto do Junior, isolado o problema a moto voltou a funcionar.

Com o avançado da hora, decidimos desistir de ir a Punta Arenas e a Puerto Natalles, e seguir para Rio Gallegos, junto com os novos amigos, tanto os de BH como de SC, e de lá para El Calafate.

Chegamos quase a noite, nos hospedamos no Hotel Patagonia, e logo na chegada o Junior já invadiu o Bar e pediu cervejas e pizzas para todos, pois a fome era grande. Mais tarde, saímos para jantar e degustar os belíssimos vinhos argentinos, sob o comando da escolha do Humberto e Jefferson, que se mostraram grandes enólogos. 
Imagem que jamais esquecerei!

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